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9 atitudes importantes na criação dos filhos

Autor: Samara Sousa por  Samara Sousa

Criar filhos é um dos trabalhos mais desafiadores e gratificantes do mundo, e por mais que você se prepare, você em muitos momentos não saberá o que fazer. Mas algo é certo, as informações são grandes aliadas no manejo do dia a dia entre pais e filhos. Veja abaixo 9 dicas importantes:

1. Preocupe-se com a autoestima do seu filho

As palavras e ações do pais afetam o desenvolvimento da autoestima das crianças. Elas começam seu processo de assimilação de si através dos olhos dos pais. Saiba que sua linguagem corporal, seu tom de voz e tudo mais relacionado à sua interação com a criança são percebidas pela criança.
Elogios são ótimos aliados para a criança se sentir orgulhosa de si mesma, e não é preciso esperar por um grande feitio, pequenas conquistas também devem ser valorizadas. Para desenvolver a seu senso de capacidade, a criança precisa experimentar realizar atividades sozinhas e ter adultos que acreditem na sua capacidade. Em contrapartida, comparações e desqualificações pode criar um senso de inutilidade e baixa capacidade na criança. Muitas vezes declarações depreciativas como “Você não faz nada direito!” ou “Você só me decepciona!” pode ter um efeito maléfico igual ou maior às agressões físicas.

É importante que os pais escolham bem suas palavras e sejam compassivos diante dos erros da criança, pois ela está em fase de desenvolvimento. Erros são passíveis de correção e são possibilidades de aprendizagem, deixe a sua criança saber que é normal errar. E que, um erro não influenciará em quanto você ama a sua criança.

2. Valorize os momentos tranquilos e assertivos da criança

Você já notou o quanto reage aos comportamentos indesejados do seu filho e o quanto deixa passar despercebido quando ele se comporta da maneira desejada?

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Uma boa forma de trazer mais leveza ao dia a dia é enxergar e verbalizar sua satisfação quando a criança realiza algo que você gosta, como compartilhar o brinquedo com o irmão, arrumar a cama, colocar a roupa suja no cesto, etc. Isso é muito mais eficaz para que o bom comportamento aconteça a longo prazo do que as críticas e repreensões constantes.

Amor, abraços e reconhecimento não tem limite e devem ser usados com generosidade.

3. Estabeleça limites e seja consistente com sua disciplina

A disciplina tem como objetivo ajudar a criança a escolher seus comportamentos e as consequências advindas deles e aprender a se autocontrolar. Ela é de extrema importância em todos os lares. A criança pode não responder como você gostaria em relação aos limites estabelecidos, mas precisam desses limites para se tornarem adultos responsáveis.

Estabelecer regras domésticas ajuda as crianças a entender suas expectativas e desenvolver o autocontrole. Algumas regras podem incluir: refeição deve ser feita à mesa, sem TV até que a tarefa de casa seja feita, agressões físicas e verbais não são permitidas.

Você pode ter um sistema: um aviso, seguido de consequências como “tempo limite” ou perda de privilégios. Dois erros comuns que os pais cometem são: punir sem ao menos lembrar a criança de como gostaria que ela se comportasse; e o não cumprimento das consequências. É necessário que as consequências dos comportamentos sejam reais, coerentes, respeitosas e consistentes. Se algo é inadmissível de acontecer em casa, aquilo não pode ser aceito de acordo com o humor dos pais. Ser consistente ensina a criança o que ela pode esperar diante certo comportamento.

4. Arranje tempo para seus filhos

A falta de tempo é a justificativa mais trazida pelos pais quando são questionados ou convocados a passarem mais tempo com os filhos. Mas não há nada que a criança mais valorize do que tempo de qualidade e entrega genuína dos pais a um momento com ela. Um momento de refeição juntos e com tranquilidade, sentar no chão para brincar, sair para dar uma volta na rua após o almoço de domingo… Comportamentos indesejados costumam andar juntos às crianças que não recebem a atenção que desejam de seus pais. Assim, mesmo que não ajam da melhor forma, de certa maneira serão notadas.

Criar a noite especial, deixar bilhetes, fazer algo escolhido pela criança podem ser ótimos recursos de conexão entre pais e filhos. Os filhos adolescentes costumam demonstrar menos interesse em estar com os pais, por isso, esteja/se faça disponível quando o seu filho adolescente demonstrar querer ter um tempo ou conversa com você.

Participe da vida do seu filho.

Não se sinta culpado por trabalhar, mas tenha como uma de suas prioridades ser companhia para seu filho.

5. Seja bom modelo

Ao observar os pais as crianças aprendem sobre como agir, por isso,  antes de atacar ou explodir sua na frente de seu filho, é importante pensar.

Pense em como você quer que seu filho se comporte quando estiver com raiva. Estudos demonstram que crianças agressivas geralmente têm um modelo agressivo em casa.

Tenha claro e estimule as características que você deseja ver na sua criança, como: honestidade, respeito, bondade, amizade e tolerância. Exiba seus comportamentos altruístas, expresse agradecimento e elogio o outro. E mais importante que tudo, trate seus filhos da melhor maneira que eles poderiam ser tratados por você ou qualquer outra pessoa.

6. Tenha a comunicação como uma das prioridades

Você não pode esperar que as crianças façam tudo simplesmente porque você, como pai, “diz isso”. Eles querem e merecem explicações tanto quanto os adultos. Se não tivermos tempo para explicar, as crianças começarão a se perguntar sobre nossos valores e motivos e se eles têm alguma base. Os pais que raciocinam com os filhos permitem que eles entendam e aprendam de uma maneira que não julgue.

Deixe suas expectativas claras. Se houver algum problema, descreva-o, expresse seus sentimentos e convide seu filho a trabalhar em uma solução com você. Certifique-se que a criança entende que toda ação tem uma consequência, faça sugestões e ofereça opções. É importante também estar aberto às sugestões dadas pela criança, negocie, seja flexível, seja aberto a expressão de opinião. Quando as crianças participam das decisões, mais motivadas são para realizá-las.

7. Seja flexível

Se você costuma se sentir “decepcionado” com o comportamento de seu filho, talvez tenha expectativas irreais.
Os ambientes das crianças afetam o comportamento deles; portanto, você pode mudar esse comportamento mudando o ambiente. Se você estiver constantemente dizendo “não” ao seu filho de 2 anos, procure maneiras de alterar o ambiente para que menos coisas sejam proibidas. Isso causará menos frustração para vocês dois.

8. Mostre que seu amor é incondicional

Como pai, você é responsável por corrigir e orientar seus filhos. Mas como você expressa sua orientação corretiva faz toda a diferença em como a criança a recebe.
Quando a correção for algo necessário, evite culpar, criticar ou encontrar falhas, pois isso prejudica a autoestima e pode levar ao ressentimento. Em vez disso, esforce-se para nutrir e incentivar, mesmo quando disciplinar seus filhos. Certifique-se de que eles saibam que, embora você queira e espere melhor da próxima vez, seu amor está lá, não importa o que aconteça.

9. Reconheça quais são as suas limitações e necessidades enquanto pai e mãe

Aceite que a perfeição desejada nunca será alcançada. Mas você tem seus pontos fortes e fracos, precisa reconhecer as suas habilidades e trabalhar mais as suas fraquezas. Busque ter expectativas realistas sobre você e todos que lhe cercam. Pais não precisam ter todas as respostas, se perdoe quando fizer algo fora do desejado. Admitam quando estiver esgotado, tire um tempo da paternidade/maternidade para fazer coisas que te deixa feliz enquanto pessoa e enquanto casal. Olhar e suprir suas próprias necessidades não é egoísmo, mas sim, cuidado com seu bem-estar. Outro valor importante para ser ensinado aos filhos.

Tradução livre do texto “Nine Steps to More Effective Parenting”, você pode ter acesso ao texto original em https://kidshealth.org/en/parents/nine-steps.html