Samara Sousa - Psicóloga Brasileira em Amsterdã, Holanda Samara Sousa - Psicóloga Brasileira em Amsterdã

Reflexões acerca da realidade de pandemia

Autor: Samara Sousa por  Samara Sousa

A situação pela qual passamos atualmente é algo que para maioria de nós, nunca foi pensada que se viveria. Quem diria que uma sociedade moderna, com tantas descobertas no campo científico e tantas mudanças sociais estaria assim sem saber ao certo o que fazer, trancada em casa e com tanto da vida, de forma geral, sendo vivida num ritmo diferente do habitual?

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Nós que lutamos tanto para sermos independentes, autônomos, nos vemos trancados ou na angústia por não poder fazer isso e sem saber quando tudo vai passar…

Quando trago essa imagem, quero me apoiar na esperança de que tudo vai passar, que todos os avanços na ciência vão nos ajudar a encontrar um caminho. Quero pensar que a companhia do outro em breve poderá ser vivida de forma presencial e que nesse momento de isolamento social, possamos refletir sobre a importância das pessoas nas nossas vidas. Somos seres sociais e uma das piores condições é a da privação social, a falta de contato, a falta do olhar, a falta da atenção, a falta da troca… Muitos estão tendo a oportunidade de ter contato social “demasiado”, podemos ver isso nos casos das famílias, onde a queixa maior é a falta de espaço e tempo para momentos individuais. Os tempos que antes eram divididos, hoje são vividos da maneira “tudo junto e misturado”. Além disso, essa nova realidade trouxe muitas fragilidades dos relacionamentos e que destacam a importância de serem olhados com cuidado, não dá para ignorar e ir para para o próximo compromisso.
Temos também o lugar da falta do outro, aqueles que sentem de forma visceral a falta de ter uma outra pessoa, por terem vidas particulares solitárias e/ou por sofrerem de condições que as deixam se sentindo sozinhos mesmo cercados de pessoas. Imagina agora sem ao menos ter a chance de encontro com um outro que lhe suscite alguma satisfação ou provoque um sorriso?

Infelizmente também temos aqueles em que o pior refúgio é a sua casa, e que a companhia de quem poderia suavizar todas as demandas externas, só sufoca e muitas vezes literalmente, a existência do outro. 
Seja no excesso, seja na falta, seja na aceitação, seja em que situação for. Esse momento tem exigido muito de nós e queremos nos apoiar na ideia de que isso vai passar e caminhando para a normalidade ou para um novo formato de normal, você voltará a reger a sua vida, fazer as suas escolhas, decidir se vai ou se fica. Desejo que essa experiência seja significativa na sua forma de olhar e se colocar na vida.
 
“Um som pra acalmar
Pôr as coisas no lugar
Mais amor em casa
Pra imunizar a alma
Deixar toda a casa arrumada
Se deitar lá no sofá da sala
Resolver as intrigas e mágoas
Rever antigos conceitos
Bota fé que o mundo tem jeito
Sentir lá no fundo do peito
Vai passar”
- Trecho da música, "Vai passar" - Di Ferrero

Texto escrito por Samara Sousa a partir das reflexões para proposta de construção de grupo de acolhimento psicológico em parceria com Dra Beatriz Rossow (psicóloga).